7 de agosto de 2012

Reflexões sobre Cultura Organizacional

Já escrevi aqui um pouquinho (e digo pouquinho porque é pouquinho mesmo se olhar para tudo o que se pode dizer sobre uma empresa e sobre as - várias - formas de se administrá-la) sobre a tal da Inteligência Organizacional, que neste momento se desenrola em minha mente e em minha dissertação como um desafio a ser encarado.

Já escrevi sobre a necessidade de integração entre pessoas, setores, níveis hierárquicos... Disse algo sobre o gerenciamento das informações e dos conhecimentos que a empresa [e seus colaboradores] possui... Também falei algo sobre a necessidade de visualização da empresa como um sistema aberto, que influencia seu ambiente e é constantemente influenciado por este. 

Mas mesmo com todas essas abordagens falta algo a ser observado. Algo a ser percebido não como uma ferramenta, mas como uma base fundamental para o desenvolvimento de todo o resto: a Cultura Organizacional.

Primeiro: O que é Cultura Organizacional? Bom, começamos com uma definição de Robert Srour (1998), que apresenta a cultura organizacional como algo que permeia todas as atividades da organização e abrange todos os envolvidos com ela, criando um conjunto de representações mentais sincronizadas e coerentes. 
Fonte da Imagem: Gestão da Comunicação Interna.

Traduzindo, e parafraseando outro autor: a cultura organizacional pode ser compreendida como um conjunto de hábitos e crenças estabelecidos por meio de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhadas por todos os membros da organização (TORQUATO, 2003). 

Parece complicado?? Mas não é! Basta olhar à sua volta (dentro da empresa em que você trabalha) e prestar atenção em como as pessoas se comportam; como assumem [talvez] uma postura diferente nesse ambiente do que em outros; como compartilham determinados paradigmas internos, jargões, e muitos outros elementos... De fato a cultura está em toda a parte, envolvendo todos dentro de uma empresa, afetando seus comportamentos e, de certa, forma, lhes dando um senso de direção.

Pois se isso acontece, e nem sempre de forma tão explícita, não pode interferir uma empresa no alcance da Inteligência Organizacional?

Com base no que tenho estudado, lido e percebido em algumas organizações isso pode influenciar e muito o desenvolvimento da IO, e mesmo de uma série de outras atividades e projetos institucionais. A necessidade de uma cultura que favoreça o compartilhamento de informações e de conhecimentos, bem como incentivo ao aprendizado constante, é fundamental para que se possa desenvolver ou aprimorar as habilidades dos colaboradores, e em consequência da própria empresa. 

Sabe-se, no entanto, que questões referentes à cultura de uma empresa não são fáceis de ser alteradas. Em muitos casos desde a fundação dessas organizações estipularam-se comportamentos e atitudes que permanecem sendo repassadas de colaboradores para colaboradores após muitos anos... Sabe-se também que a cultura é capaz de conferir uma identidade singular à empresa, caracterizando-a e diferenciando-a das demais por questões totalmente particulares. 

Neste sentido, podemos falar de uma organização como a Chilli Beans, que possui características tão únicas que fazem da empresa algo totalmente diferente e singular frente às concorrentes no setor de óculos e acessórios. Se você já foi até uma das lojas da Chilli, ou apenas passou em frente, deve ter percebido alguma coisa de diferente com relação ao mercado de empresas do mesmo ramo. Existe toda uma cultura desenvolvida na empresa que faz com que seus vendedores e demais colaboradores sejam 'eles'. Assim, com a cara da marca. E essa cultura permanece [pelo menos em tese] em todas as lojas da marca. 

Assim, é possível perceber que fatores culturais tem o poder de conduzir a empresa aos rumos propostos, lembrando que em primeiro lugar é preciso saber onde se quer chegar, definir isso por meio de uma missão e visão claras e fazer com que estes propósitos cheguem a todos os envolvidos com a organização, para que possam direcionar suas ações àquilo que se espera da empresa.

Atentar-se à cultura de uma organização não é um modismo, ou algo que se faça apenas para parecer 'antenado'. É necessário para que se possa perceber como as pessoas se comportam dentro de uma empresa e poder ajustar este comportamento ao perfil idealizado, contribuindo para [dentre outros fatores] o alcance da Inteligência Organizacional.

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Referências

SROUR, Robert Henry. Poder, Cultura e Ética nas Organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
TORQUATO, Gaudêncio. Cultura, Poder, Comunicação e Imagem: fundamentos da nova empresa. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.







 

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